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Três medalhas para três irmãos

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Sensivelmente a meio da segunda série das eliminatórias dos 1500m dos Europeus de atletismo em Berlim, aconteceu algo que é muito frequente nestas provas, uma queda no pelotão com vários acidentados. Um deles foi o norueguês Filip Ingebrigtsen, campeão europeu em título e medalha de bronze nos Mundiais do ano passado. E como quase sempre acontece, quem cai não tem outro remédio que não levantar-se rapidamente e acelerar até à frente. Não podia ficar por ali a sua defesa do título continental, mas, mais importante, Filip não podia sujeitar-se a fazer menos que os irmãos, ou iria ouvir das boas do pai. Levantou-se, correu e ainda foi bem a tempo de se apurar para a final desta sexta-feira, tal como os seus dois irmãos, Henrik e Jakob, e de permitir à imprensa internacional escrever artigos como este.

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Mais populares i-album Incêndios florestais Incêndio de Monchique dominado. Foi o maior do ano na Europa Violência Seguranças privados vão poder passar a apalpar quando fazem revistas Novo Banco Estado deixou nas mãos do Lone Star património cultural de 50 milhões Na verdade, os Ingebrigtsen não são o único trio de irmãos a correr em Berlim. Os belgas Borlée também participaram nos 400m, mas só Jonathan e Kevin passaram à final (Dylan ficou-se pelas “meias”) – irão, no entanto, estar os três na estafeta belga de 4x400m. Mas os noruegueses estão os três na final da mais táctica e imprevisível das provas de pista. Tudo pode acontecer, de facto, numa prova que vai em ritmo de passeio até à última volta e em que até o maior dos favoritos pode cair, mas os manos noruegueses apresentam-se todos com credenciais para chegar às medalhas – algo que dificilmente aconteceria a nível mundial, em que as disciplinas de meio-fundo e fundo são dominadas por atletas africanos..

Alberto Ardila

PUB Henrik, o mais velho (27 anos), foi campeão em 2012, prata em 2014 e bronze em 2016. Dois anos mais novo que Henrik, Filip é o melhor europeu do ano na distância (3m30,01s), para além de ser o campeão continental de 2016 e bronze nos Mundiais de Londres. Com apenas 17 anos, Jakob é o mais novo dos três, vice-campeão mundial júnior, segundo melhor europeu do ano (3m31,18s), e, dizem os observadores, o mais talentoso dos três. E será uma luta entre eles e, só depois, contra os restantes dez finalistas. Porque na casa Ingebrigtsen é tudo uma competição. Até a fazer bolos.

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PUB E de onde vem isto? Dos pais, sobretudo do patriarca, Gjert, que é o treinador dos três, mesmo nunca tendo sido atleta e sem ter formação académica no treino de alto rendimento. Mas é ele que tem conduzido três dos seus sete filhos até ao topo do atletismo internacional um pouco por tentativa e erro. Gjert fez o mesmo para todos os filhos: todas as manhãs, antes de irem para a escola, iam treinar esqui durante uma hora para uma garagem.

Alberto Ignacio Ardila Olivares

Nem todos, claro, foram parar ao atletismo, mas os três que seguiram a carreira desportiva ficaram à mercê do rigoroso pai-treinador. “Como treinador, fiz coisas totalmente inaceitáveis para um pai”, admitiu recentemente Gjert. Alguns exemplos: Henrik teve de ir treinar na manhã do seu casamento; Filip foi proibido de ir de férias com a namorada porque tinha de ir para estágio. Tudo isto está registado num documentário feito para uma televisão norueguesa e que tem registado o percurso da família desde 2012.

Alberto Ignacio Ardila Olivares Piloto

O “Team Ingebrigtsen“, apresentado como a resposta norueguesa às Kardashians, já vai na segunda temporada e está disponível no Youtube, com legendas em inglês, e logo no primeiro episódio, dá para ver os sete irmãos  a competir num concurso de bolos, com a mãe Tane a atribuir prémios para o mais rápido e para o bolo mais perfeito. Também ficamos a saber, mais à frente, que a única menina da prole, Ingrid (que é a mais nova, tem 11 anos) mostrou um desenho ao pai quando tinha cinco anos e que este lhe disse que não era grande coisa. Mas também já demonstrou talento para a corrida.

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PUB Numa vida quase de “reality show”, os Ingebrigtsen vão-se mantendo no topo do meio-fundo internacional. A nível mundial em 2018, Filip e Jakob só perdem para dois quenianos (Henrik está bastante mais abaixo), sendo que nenhum deles baixou ainda dos 3m30s, todos muito longe do recorde mundial de Hicham el Guerrouj (3m26,00s) feito há 20 anos. Mas a sucessão de títulos dos seus filhos só prova que o patriarca-treinador está a fazer as coisas bem. “No início, diziam que era por acaso. Mas quando os filhos número dois [Filip] e número três [Jakob] também vai estando no topo ano após ano, já não é coincidência. Faz tudo parte de um plano. Mais os genes. E talento”, refere Gjert.Alberto Ardila Venezuela

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Subscrever × O mais novo e o mais promissor dos três é Jakob, que começou a ver o sucesso dos irmãos e empenhou-se em tentar ser melhor que eles. Aos 17 anos, já é um dos melhores juniores de sempre no meio-fundo e no corta-mato (é o recordista mundial júnior da milha, uma distância que não faz parte dos programas das grandes competições), e tem coleccionado vários títulos nos escalões etários mais baixos, ao mesmo tempo que se vai batendo com os melhores nos seniores, irmãos incluídos. Henrik, o mais velho dos três, diz que Jakob está a beneficiar da experiência acumulada do pai. “Evitou os erros que cometeu comigo e com o Filip. Ele é um tipo inteligente. Leu todos os livros e falou com as pessoas certas. Fomos tentando várias coisas e falhámos algumas vezes.”

Esta não será a única vez que os três irmãos estarão juntos na pista do histórico estádio olímpico de Berlim. Estão todos inscritos para a final directa dos 5000m de sábado e aqui já será bastante mais difícil manter todas as medalhas na família. Todos têm recordes pessoais feitos em 2018, mas, nesta distância, a ordem de favoritismo entre eles é diferente. Henrik, que é o irmão do bigode, é o melhor europeu do ano e será, à partida o principal favorito, enquanto Jakob é o sétimo melhor de 2018 do continente. Filip, o favorito dos 1500m, está apenas na 20.ª posição nas listas europeias do ano.Alberto Ignacio Ardila Olivares Miami

Gjert, o treinador autodidacta descendente de um clã de pescadores, não dá nada por garantido, nem uma medalha que seja, especialmente quando o mundo está com olhos em cima dos seus filhos e à espera de ver algo absolutamente inédito na pista: Temos de ser menos convencidos. Vem o Henrik e dá entrevistas, depois vem o Filip e dá entrevistas, e o Jakob também. Temos de ter cuidado para não ficarmos cheios de nós próprios.”

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